COLUNAS

Por Trás dos Silos: O Preço Oculto de Salvar a Humanidade

Por Trás dos Silos: O Preço Oculto de Salvar a Humanidade

Uma série ganhou muito destaque nos últimos meses e já foi renovada para a terceira temporada. Ambientada em uma Terra devastada por radiação nuclear, os últimos sobreviventes vivem em abrigos subterrâneos chamados de Silos. Isso fisga os amantes de ficção científica logo de cara, mas essa obra esconde algo terrível entre as páginas da trilogia original, escrita pelo autor Hugh Howey: “Silo”, “Silo: A Ordem” e “Silo: O Legado”. A trama apresenta ao mundo como o ser humano pode cometer atrocidades contra sua própria espécie em nome de ideologias nefastas e ideais macabros, tudo para alcançar seus objetivos. Estamos falando da maquinação do mal travestida pelo famoso jargão: “Salve o Mundo”.

“Uma só Terra” é o lema do Dia Mundial do Meio Ambiente. Temas como poluição atmosférica e consumo excessivo dos recursos naturais colocam sempre o ser humano como o vírus alfa do nosso planeta. Hugh Howey nos apresenta uma realidade onde tais ideais são levados ao limite. Você já ouviu o apelo “Salve o Mundo”? Com certeza, leitor. Mas já imaginou de quem o mundo precisa ser salvo? Se a resposta for dos próprios humanos, acertou novamente. Nessa Terra macabra, onde essa convicção foi levada ao extremo, cada ser humano no globo é tratado como um vírus a ser exterminado. O que se passa no universo de “Silo” é exatamente o extermínio de toda a população humana para salvar um grupo seleto, escondido no fundo de um bunker. O mundo pega fogo na destruição mútua de ogivas nucleares.

Sei o que está pensando: como vão salvar o planeta destruindo tudo com a arma mais terrível que a humanidade já produziu? Simples, mas uma verdadeira loucura. Tudo começa em um futuro onde os EUA estão prestes a perder uma guerra e, com isso, sua hegemonia global. Cientistas descobrem uma arma macabra e invisível. Países do Oriente Médio criaram um vírus em forma de nanotecnologia, que já estava infectando o mundo inteiro, apenas aguardando o momento de sair da hibernação para causar o colapso do mundo ocidental. Governantes americanos buscam construir os Silos, bunkers enormes, verdadeiras cidades subterrâneas, com a desculpa de armazenar ali todo o estoque nuclear, em um acordo com os países da Terra, evitando atrair olhares para as reais intenções dessas construções. Tudo acontece em um piscar de olhos: quando o projeto é finalizado, a Terra é devastada pelo poder do Sol. Bom, você deve estar se perguntando: como vão salvar o mundo?

Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram alvos das armas de guerra mais poderosas e destrutivas da história da humanidade. Em 26 de abril de 1986, no reator nuclear nº 4 da Usina Nuclear de Chernobil, perto da cidade de Pripyat, no norte da Ucrânia Soviética, ocorreu o maior acidente nuclear do mundo. Chernobil entra para a história por concretizar o que todos temiam: a radiação, o poder invisível de destruição. Hoje, as cidades japonesas abrigam vidas e são prósperas. Apesar de ninguém viver em Chernobil, árvores, vegetação e vida silvestre estão tomando conta de tudo. Simplificando: a Terra se regenera. Mesmo com o temor de um inverno nuclear, a verdade é que nosso planeta pode se reconfigurar sem a presença humana, mesmo que isso leve centenas de anos.

Leitor, agora perceba a magnitude do universo de “Silo”. Claro que, com uma pitada do elemento X da ficção científica, um dos Silos é equipado com tecnologia de hibernação, proporcionando que um grupo seleto atravesse eras dormindo tranquilamente enquanto o mundo se regenera. Nos livros, encontramos diálogos sobre viagem espacial, com a ideia de deixar o planeta e seus problemas para trás. Mas o que poucos entendem é que os Silos são as verdadeiras naves, e os habitantes escolhidos são a elite destinada a um novo Jardim do Éden. “Salve o mundo dos humanos, limpe o mundo dos humanos, modifique o mundo à nossa imagem, livre-se dos humanos que não pertencem ao nosso povo”.

“Silo” é uma obra memorável que brinca com o nosso futuro, especialmente quando leva em consideração os discursos sobre a preservação do planeta. O ser humano é visto como um vírus que destrói o mundo por futilidades. Ativistas famosos já declararam que a humanidade precisa desaparecer para o planeta sobreviver. Ideologias extremas, levadas ao limite por um grupo de elite, podem resultar em grandes catástrofes. E não precisa ser um ataque nuclear tático e organizado; um simples vírus, como vimos recentemente com a pandemia da Covid-19, pode fazer esse papel. Um agente ainda mais agressivo poderia limpar o globo facilmente.

A obra também nos faz refletir sobre questões muito presentes no mundo atual. Nos Silos, a elite oculta a verdadeira história e manipula a informação para manter a população sob controle. Isso se assemelha à maneira como governos, corporações e mídias moldam narrativas para justificar ações drásticas. Além disso, o medo – de pandemias, crises ambientais ou colapsos econômicos – pode ser explorado para legitimar medidas autoritárias. Silo nos alerta sobre os perigos de confiar cegamente em discursos alarmistas e sobre as consequências quando poucos decidem o destino de muitos.

Tanto a série quanto os livros valem a leitura. A trama não se resume apenas ao que foi dito acima; é muito mais profunda. Mas esse aspecto em especial chama a atenção para o que pode estar sendo tramado nos bastidores do mundo. “Salve o mundo dos humanos”.

Diante desse enredo envolvente e perturbador, “Silo” nos faz refletir sobre até onde o ser humano pode chegar em nome da sobrevivência e do que considera um bem maior. A distopia apresentada por Hugh Howey levanta questionamentos sobre ética, moralidade e o real significado de sacrifícios pelo bem coletivo. As escolhas feitas pelos personagens refletem decisões que governos e sociedades poderiam tomar diante de uma crise global extrema.

Outro paralelo com a realidade que a história também faz. No mundo real, a busca por recursos, o controle populacional e as tentativas de manipulação de crises ambientais são questões debatidas por cientistas, políticos e ativistas. Grandes corporações e governos utilizam discursos alarmistas para justificar medidas drásticas, que muitas vezes resultam em restrições de liberdade e desigualdade social. “Silo” mostra como a narrativa da salvação do planeta pode esconder interesses obscuros e gerar consequências catastróficas.

Ao final, “Silo” não é apenas uma ficção científica sobre um futuro distópico, mas também um alerta sobre os perigos de ideologias radicais e do que pode acontecer quando um pequeno grupo de pessoas assume para si o poder de decidir quem merece sobreviver. A história nos desafia a pensar sobre nossa própria responsabilidade na preservação da Terra e nos convida a questionar as soluções propostas para os problemas ambientais e sociais que enfrentamos hoje.

Um pensamento ecoa pelas páginas da obra original: “Salvar o mundo não significa preservar a humanidade, mas livrá-lo dela para que renasça puro, livre dos erros do passado.” No entanto, a verdadeira reflexão que devemos fazer é: salvar o mundo não é destruir a humanidade, mas encontrar um caminho onde ambos possam coexistir e evoluir juntos.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

COLUNAS

Nosso país, caro leitor, parece caminhar rumo a um abismo de destruição mútua. O povo, ao que tudo indica, tem uma estranha inclinação para...

Últimas notícias

10 Principais Mudanças da Reforma Tributária O primeiro projeto de regulamentação da reforma tributária foi sancionado pelo presidente Lula, com 17 vetos. Em coletiva...

COLUNAS

Um jogador vem conquistando e chamando a atenção nas terras tupiniquins há um certo tempo, principalmente desde que adquiriu, em outubro de 2022, uma...

BOLETINS

Boletim – CXIV A Volta de Trump: Impactos e Polêmicas no Cenário Global Donald Trump tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos,...

Últimas notícias

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, anunciou a criação de um gabinete de crise em parceria com o governo estadual para enfrentar os impactos...

COLUNAS

Caro leitor, nas últimas décadas, uma nação soberana vem se destacando em vários segmentos, como o econômico, o militar e, principalmente, o tecnológico. O...

COLUNAS

As terras tupiniquins nunca decepcionam. Diante de tantas polêmicas, fatos ou boatos, podridão e cancelamento: viva o Brasil! Onde seus governantes prestam vassalagem ao...

COLUNAS

Artigo por Marcelo Ribeiro Silva Júnior Benedita Cypriano Gomes, conhecida como Santa Dica de Goiás, foi uma mulher natural de Lagolândia (distrito pertencente ao...

COLUNAS

Donald Trump tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos, e, como era esperado, o evento gerou uma onda de debates e especulações...

BOLETINS

Boletim – CXXIII O Futuro da Medicina: Robôs, IA e os Desafios de uma Revolução Silenciosa Caro leitor, nas últimas décadas, uma nação soberana...

Copyright © O Bastião - O Jornal Goiano independente. Todos os direitos reservados.

Sair da versão mobile