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Nos Bastidores da História: O Brasil no Tabuleiro da Guerra Fria

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O Brasil no Tabuleiro da Guerra Fria

Documentos da CIA

Caro leitor, imagine um jogo de xadrez em que cada peça tem sua própria agenda e nenhum movimento é realmente o que parece. Nos bastidores da história, enquanto o Brasil vivia sua turbulência política nos anos 60, forças externas puxavam as cordas, e o tabuleiro latino-americano era palco de uma guerra silenciosa. Documentos recém-revelados da CIA mostram que Cuba, com apoio de Pequim, apostava suas fichas no Brasil de Goulart e Brizola, financiando propaganda, treinando guerrilheiros e alimentando a esperança de uma revolução tropical ao estilo castrista. Mas, como todo jogo de poder, nem tudo saiu conforme o planejado. Afinal, em tempos de Guerra Fria, quem piscava primeiro perdia — e o Brasil foi empurrado para um xeque-mate antecipado. A história é um campo de batalhas invisíveis, onde ideologias colidem nas sombras antes de se manifestarem à luz do dia. Primeiro, entendamos o contexto que moldou os eventos, e então mergulhemos na relação revelada pelos documentos da CIA — um vislumbre do abismo que quase consumiu nossa nação.

Leonel Brizola e João Goulart (Jango) tiveram uma relação muito próxima, tanto política quanto pessoal. Eles eram cunhados e compartilhavam um projeto político baseado no trabalhismo, inspirado em Getúlio Vargas. Brizola era casado com Neusa Goulart, irmã de Jango, e ambos foram figuras centrais no cenário político brasileiro nas décadas de 1950 e 1960.

Brizola foi um dos principais defensores de Jango durante a Campanha da Legalidade em 1961, quando o então vice-presidente João Goulart foi impedido de assumir a presidência após a renúncia de Jânio Quadros. Como governador do Rio Grande do Sul, Brizola organizou uma resistência armada e usou a rádio para mobilizar a opinião pública em favor da posse de Jango, forçando um acordo que resultou na adoção do parlamentarismo como solução temporária.

Depois que Jango foi deposto pelo golpe militar de 1964, ambos foram exilados. Jango foi para o Uruguai e depois para a Argentina, onde morreu em 1976 em circunstâncias suspeitas. Brizola, por sua vez, viveu em vários países, incluindo o Uruguai, os EUA e Portugal, antes de voltar ao Brasil com a anistia de 1979. Ele seguiu sua carreira política, fundando o PDT e sendo governador do Rio de Janeiro por dois mandatos.

A relação entre os dois, apesar de forte, teve momentos de divergência, especialmente quanto à condução das reformas de base e à resistência ao golpe de 1964. Enquanto Brizola defendia uma postura mais radical e combativa, Jango optava por uma abordagem mais conciliatória, o que acabou levando à sua deposição.

Atenção, leitor: o que se segue não é especulação, mas fatos registrados nas entranhas dos arquivos da CIA, agora expostos à luz do conhecimento. Cada linha a seguir é um fragmento da história, detalhado e organizado para que se compreenda não apenas os eventos, mas as forças que moldaram o destino de nossa nação.

 

Apoio de Cuba e China a Leonel Brizola

Durante a semana de 27 de agosto de 1961, o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, recebeu ofertas de apoio material por parte de Mao Tse-Tung, da China Comunista, e de Fidel Castro, de Cuba. O apoio incluía o envio de voluntários e outros recursos para auxiliar Brizola na luta para garantir a posse do vice-presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros. No entanto, Brizola recusou a oferta, apesar de reconhecer o apoio moral, por temer que a aceitação resultasse em uma intervenção dos Estados Unidos na crise política brasileira. A oferta de Castro acabou vazando, evidenciando o interesse cubano na situação política do Brasil.

Envolvimento Cubano na Subversão do Brasil

Antes do golpe militar de abril de 1964, Cuba já operava ativamente no Brasil em um esforço subversivo. O governo cubano fornecia financiamento, treinamento de guerrilha e apoio propagandístico para grupos comunistas e pró-comunistas. A embaixada cubana no Rio de Janeiro desempenhava um papel crucial nessas atividades, colaborando estreitamente com as Ligas Camponesas de Francisco Julião no Nordeste e com Leonel Brizola.

De acordo com documentos secretos, o embaixador cubano no Brasil via Brizola como a melhor opção para liderar uma revolução no estilo cubano. Entre o final de 1963 e abril de 1964, Havana intensificou seu apoio a Brizola em detrimento de Julião. Em um dos relatos, foi indicado que Brizola teria solicitado financiamento para suas atividades de imprensa e rádio, bem como para a compra de armamentos.

Pouco antes do golpe que depôs Goulart, quatro correios cubanos teriam levado dinheiro ao Brasil para reforçar as forças de Brizola. Também foi reportado que uma embaixada confiável no México confirmou o envio desses fundos.

A Propaganda e a Influência Cultural Cubana

Além do apoio financeiro e logístico, Cuba manteve uma intensa campanha de propaganda no Brasil. A Prensa Latina, escritório de comunicação cubano, desempenhava um papel central nessa estratégia. Um membro do Partido Comunista da Bahia revelou que o jornal comunista local era financiado por Cuba. Ademais, institutos culturais brasileiros-cubanos proliferaram em todas as principais cidades do Brasil, sendo que só no Rio de Janeiro existiam sete desses institutos.

Organizações de apoio ao governo cubano também se espalharam pelo país, incluindo a Sociedade dos Amigos de Cuba e o Comitê Nacional Contra a Intervenção em Cuba. Além disso, a transmissão de programas de rádio diários em português diretamente de Havana buscava influenciar a opinião pública brasileira.

O Brasil como Base para Atividades Subversivas na América Latina

Durante o governo Goulart, o Brasil serviu como um ponto estratégico para a expansão da influência cubana na América Latina. Um exemplo disso foi o Congresso Constituinte da Central Única dos Trabalhadores Latino-Americanos (CUTAL), realizado em Brasília no final de janeiro de 1964, planejado para substituir a enfraquecida Confederação dos Trabalhadores Latino-Americanos (CTAL). Outra evidência do envolvimento brasileiro foi a delegação liderada pelo sobrinho de Goulart no Segundo Congresso da Juventude Latino-Americana (LAYC), realizado em Santiago, Chile, em 9 de março de 1964, onde apresentou uma carta de apoio do então presidente.

O Brasil também funcionou como rota de trânsito para subversivos latino-americanos que retornavam de treinamento em Cuba para atuar em seus respectivos países. No final de abril de 1964, o Partido Comunista do Brasil (PCB), que seguia uma linha pró-chinesa, ordenou a dois líderes treinados em Cuba que iniciassem operações paramilitares nos estados de São Paulo e Goiás. Embora muitos dos militantes tivessem recebido treinamento e incentivo dos cubanos, não há evidências definitivas de que tenham recebido apoio material direto de Havana.

O memorando divulgado pela CIA de junho de 1964 revela um quadro detalhado da atuação cubana no Brasil antes do golpe militar. O governo de Fidel Castro via o Brasil como um território essencial para a propagação da revolução comunista na América Latina, investindo recursos financeiros, treinamento militar e operações de propaganda para fortalecer grupos alinhados a seus interesses. Leonel Brizola e Francisco Julião emergiram como os principais beneficiários dessa estratégia, embora Brizola, ciente da possibilidade de uma intervenção dos EUA, tenha recusado um envolvimento mais direto.

A subversão cubana no Brasil foi um fator relevante para o contexto político que culminou na derrubada de Goulart. Os militares brasileiros, aliados aos EUA, viam com preocupação a crescente influência comunista no país, justificando assim a tomada do poder em abril de 1964. A documentação recentemente divulgada reforça a importância dessas influências externas na radicalização do conflito político brasileiro durante esse período.

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